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sábado, 5 de novembro de 2016

A Governança e a Governabilidade da Justiça brasileira: A atuação ineficaz do CNJ



A União está dividida em três poderes, que são independentes e harmônicos entre si. São eles: O Legislativo, que elabora leis; o Executivo, que atua na execução de programas ou prestação de serviço público; e o Poder Judiciário, que soluciona conflitos entre cidadãos, entidades e o estado. O assunto deste artigo permeia sobre o Poder Judiciário, que tem um importante papel no funcionamento da sociedade.
            O Poder Judiciário possui autonomia administrativa e financeira garantidas pela Constituição Federal do Brasil, devido a uma grande responsabilidade que possui: garantir os direitos individuais, coletivos e sociais, resolver conflitos que ocorrem entre cidadãos, entidade e Estado. Este Poder tem alguns órgãos que representam suas funções e interesses, tais como: O Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça (STJ), além dos Tribunais Regionais Federais (TRF), Tribunais e Juízes do Trabalho, Tribunais e Juízes Eleitorais, Tribunais e Juízes Militares e os Tribunais e Juízes dos estados e do Distrito Federal e Territórios.
            Assim como em qualquer órgão público, é necessário haver governança (gestão eficaz do órgão) e governabilidade (relação harmoniosa entre os três poderes) nos órgãos do Judiciário, a fim do exercício pleno e eficaz das funções a estes cabíveis. Mas nem sempre se encontra governança e governabilidade nos órgãos públicos, e desta maneira, também nos órgãos do Poder Judiciário. É o caso do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que tem uma grande importância no cumprimento do papel do Judiciário.
            O CNJ tem como Missão “contribuir para que a prestação jurisdicional seja realizada com moralidade, eficiência e efetividade em benefício da Sociedade” e Visão “Ser um instrumento efetivo do Poder Judiciário” (CNJ, 2016). Desta maneira, infere-se que o papel do CNJ é de gerir pautas do Poder Judiciário, tais como zelar pela autonomia do Poder, definir o planejamento estratégico, os planos de metas e os programas de avaliação institucional do Poder Judiciário, prestar serviços ao cidadão, atuando na moralidade. Além de desenvolver e coordenar vários programas de âmbito nacional que priorizam áreas das mais variadas, desde maio ambiente até direitos humanos.
            A estrutura do órgão é complexa e exige constante atualização e revisão dos processos internos, a tal governança. Gerir um órgão com tantas funções e atividades não é tarefa fácil. Apesar das tentativas de modernização do órgão, como a Rede de Governança Colaborativa do Poder Judiciário, instituída pela Portaria n. 138 de 23 de agosto de 2013, e da Gestão de Projetos, instituída por meio da Instrução Normativa CNJ n. 48, de 15 de março de 2013, há muito que ser feito para que o órgão exerça de maneira eficiente o que lhe compete.
            O CNJ possui três problemas básicos, que também afetam o Poder Judiciário brasileiro: excesso de processos, morosidade e falta de acesso à Justiça. No ano de 2012, tramitaram aproximadamente 92 milhões de processos no Judiciário brasileiro, segundo o Relatório Justiça em Números (CNJ). Esta quantidade de processos representa um processo por dois habitantes e mesmo assim, o acesso à Justiça não é igualitário, visto que os processos são concentrados em poucos litigantes. De um total de 100% dos processos, apenas 5% corresponde à reivindicações de cidadãos. Segundo um estudo elaborado pelo IPEA em 2009, aproximadamente 64% das pessoas lesadas em algum direito não recorrem à Justiça. Isto é um dos indicadores que demonstram a insatisfação e descrença dos cidadãos com relação à Justiça brasileira.
            Além do descrédito dos cidadãos perante ao sistema Judiciário, a falta de gestão do contingente de funcionários servidores do Judiciário faz com que a demanda não seja atendida. Alguns procedimentos do Judiciário precisam ser revistos e reorganizados, de maneira a agilizar a tratativa das demandas que aparecem. Algumas iniciativas já foram tomadas com o intuito de mitigar a morosidade da Justiça, como o PJe, um sistema desenvolvido pelo CNJ em parceria com a OAB. Este sistema tem como objetivo reduzir a burocracia na tramitação dos processos.

            Há muito o que ser feito pelo Poder Judiciário no Brasil. O conceito da atuação da Justiça deve ser revisto, de maneira a atingir a máxima da atuação do Estado: prover o bem-estar dos cidadãos. O CNJ, com seu papel de Conselho Nacional, precisa de uma atuação mais forte no sentido de fazer a manutenção do Poder Judiciário, tomando decisões assertivas e atuando de maneira eficaz no combate à corrupção e na sugestão de melhorias e ajustes em prol do funcionamento do Judiciário.

Ana Carolina Reis
Discente em Gestão de Políticas Públicas pela
 Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo.

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